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HISTÓRIA DE
PORTUGAL
Primeiros povos

A
pré-história de Portugal é partilhada com a da
Península Ibérica. A região foi povoada por
pré-celtas e celtas, dando origem a povos como os
Galaicos,
Lusitanos,
Celtas e
Cinetes, visitada pelos
fenícios e
cartagineses, e os
romanos incorporaram-na no seu
Império (como
Lusitânia, depois de 45 a.C.), invadida
posteriormente pelos
Suevos,
Búrios e
Visigodos, e conquistada pelos
mouros. Em 868, durante a
Reconquista, foi formado o
Condado Portucalense.
Formação e consolidação do reino
Muito antes de Portugal
conseguir a sua independência, já tinha havido algumas tentativas de
alcançar uma autonomia mais alargada, e até mesmo a independência, por parte
dos condes que governavam as terras do
Condado da Galiza e de
Portucale. Para terminar com esse clima
independentista da nobreza local em relação ao domínio leonês, o Rei
Afonso VI entregou o governo do
Condado da Galiza ao Conde
Raimundo de Borgonha, e ao primo deste, o
Conde D. Henrique, o governo do
Condado Portucalense. Com o governo do
Conde D. Henrique, o Condado Portucalense
conheceu não só uma política militar mais eficaz na luta contra os
mouros, como também uma política
independentista mais ativa. Só após a sua morte, quando o seu filho
D. Afonso Henriques subiu ao poder,
Portugal conseguiu a sua independência com a assinatura em 1143 do
Tratado de Zamora, ao mesmo tempo que
conquistou localidades importantes como
Santarém,
Lisboa,
Palmela e
Évora aos
mouros.
Terminada a
Reconquista do território português em
1249, a independência do novo reino viria a ser posta em causa várias vezes
por
Castela. Primeiro, na sequência da
crise de sucessão de
D. Fernando I, que culminou na
Batalha de Aljubarrota, em 1385.
Os
descobrimentos e a Dinastia Filipina

Com o fim da guerra, Portugal deu
início ao processo de exploração e expansão conhecido por
Descobrimentos, entre cujas figuras
cimeiras destacam o
infante D. Henrique, o Navegador, e o Rei
D. João II.
Ceuta foi conquistada em 1415. O
cabo Bojador foi dobrado por
Gil Eanes em 1434, e a exploração da costa
africana prosseguiu até que
Bartolomeu Dias, já em 1488, comprovou a
comunicação entre os oceanos
Atlântico e
Índico dobrando o
cabo da Boa Esperança. Em rápida sucessão,
descobriram-se rotas e terras na
América do Norte, na
América do Sul, e no
Oriente, na sua maioria durante o reinado
de
D. Manuel I, o Venturoso. Foi a expansão no
Oriente, sobretudo graças às conquistas de
Afonso de Albuquerque que, durante a
primeira metade do século XVI, concentrou quase todos os esforços dos
portugueses, muito embora já em 1530
D. João III tivesse iniciado a colonização
do
Brasil.
O país teve o seu século de ouro
durante este período. Porém, na
batalha de Alcácer-Quibir (1578), o jovem
rei
D. Sebastião e parte da nobreza portuguesa
pereceram. Sobe ao trono o
Rei-Cardeal D. Henrique, que morre dois
anos depois, abrindo a
Crise de sucessão de 1580: esta resolve-se
com a subida ao trono português de
Filipe II de Espanha, o primeiro de três
reis espanhóis (Dinastia
Filipina) Privado de uma política externa independente, e
envolvido na guerra travada por Espanha com a
Holanda, Portugal sofreu grandes reveses no
império, resultando na perda do monopólio do comércio no Índico.
Esse domínio foi terminado a
1 de Dezembro de
1640 pela nobreza nacional que, após ter
vencido a guarda real num repentino golpe-de-estado, depôs a condessa
governadora de Portugal, coroando
D. João IV como Rei de Portugal.
Restauração, absolutismo e liberalismo

Após a restauração da
independência de Portugal, seguiu-se uma
guerra com
Espanha que terminaria apenas em
1668, com a assinatura de um
tratado de paz em que Espanha reconhecia em
definitivo a restauração de Portugal.[30]
O final do
século XVII e a primeira metade do
século XVIII assistiram ao florescimento da
exploração mineira do Brasil, onde se
descobriram ouro e pedras preciosas que fizeram da corte de
D. João V uma das mais opulentas da Europa.
Estas riquezas serviam frequentemente para pagar produtos importados,
maioritariamente de Inglaterra (por exemplo, quase não existia indústria
têxtil no reino e todos os tecidos eram importados de Inglaterra). O
comércio externo baseava-se na indústria do vinho e o desenvolvimento
económico do reino foi impulsionado, já no reinado de
D. José, pelos esforços do
Marquês de Pombal, ministro entre 1750 e
1777, para inverter a situação com grandes reformas mercantilistas. Foi
neste reinado que um
violento sismo devastou Lisboa e o Algarve,
a
1 de Novembro de
1755.
Por não quebrar a aliança com a
Inglaterra e recusar-se a aderir ao
Bloqueio Continental, Portugal foi
invadido pelos exércitos
napoleónicos em
1807. A
Corte e a família real portuguesa refugiaram-se no
Brasil, e a capital deslocou-se para o
Rio de Janeiro, onde permaneceria até
1821, quando
D. João VI, desde 1816 rei do
Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves,
regressou a Lisboa para jurar a primeira
Constituição. No ano seguinte, o seu filho
D. Pedro IV era proclamado imperador do
Brasil, mantendo-se, no entanto o
Império do Brasil e o Reino de Portugal
unidos durante cerca de dez anos.[32]
Portugal viveu, no restante
século XIX, períodos de enorme perturbação
política e social (a
guerra civil e repetidas revoltas e
pronunciamentos militares, como a
Revolução de Setembro, a
Maria da Fonte, a
Patuleia, etc.) e só com o Acto Adicional à
Carta, de 1852, foi possível a acalmia
política e o início da política de fomento protagonizada por
Fontes Pereira de Melo.[33]
No final do século XIX, as ambições coloniais portuguesas chocam com as
inglesas, o que está na origem do
Ultimato de 1890.[34]
A cedência às exigências britânicas e os crescentes problemas económicos
lançam a monarquia num descrédito crescente, e
D. Carlos e o príncipe herdeiro
D. Luís Filipe são assassinados em
1 de Fevereiro de
1908. A monarquia ainda esteve no poder
durante mais dois anos, chefiada por
Manuel II, mas viria a ser abolida em
5 de Outubro de
1910, implantando-se a República.
República, Estado Novo e democracia
A República é pouco depois instaurada,
em
5 de Outubro de 1910, e o jovem rei
D. Manuel II parte para o exílio em
Inglaterra.
Após vários anos de instabilidade política, com lutas de
trabalhadores, tumultos, levantamentos, homicídios políticos e crises
financeiras (problemas que a participação na
I Guerra Mundial contribuiu para
aprofundar), o
Exército tomou o poder, em 1926. O regime
militar nomeou
ministro das Finanças
António de Oliveira Salazar (1928),
professor da
Universidade de Coimbra, que pouco depois
foi nomeado
Presidente do Conselho de Ministros (1932).
Ao mesmo tempo que restaurou as
finanças, instituiu o
Estado Novo, regime autoritário de
corporativismo de Estado, com partido único e sindicatos estatais, com
afinidades bem marcadas com o
fascismo pelo menos até 1945. Em 1968,
afastado do poder por doença, sucedeu-lhe
Marcelo Caetano.
A recusa do regime em
descolonizar as
províncias ultramarinas resultou no início
da
guerra colonial, primeiro em
Angola (1961) e em seguida na
Guiné-Bissau (1963) e em
Moçambique (1964). Apesar das críticas de
alguns dos mais antigos oficiais do Exército, entre os quais o general
António de Spínola, o governo parecia
determinado em continuar esta política. Com o seu livro
Portugal e o Futuro, em que defendia a
insustentabilidade de uma solução militar nas
guerras do Ultramar, Spínola seria
destituído, o que agravou o crescente mal-estar entre os jovens oficiais do
Exército, os quais, no dia
25 Abril de 1974 desencadearam um golpe de
estado.
A este sucedeu-se um período de
confronto político muito aceso entre forças sociais e políticas, designado
como
Processo Revolucionário em Curso, com
especial ênfase durante o
Verão de
1975, a que se chamou
Verão Quente, no qual o país esteve prestes
a cair num novo período de ditadura, desta vez de orientação comunista.
Neste período Portugal
concede a independência de todas as suas
antigas colónias em África.
A
25 de Novembro de
1975 diversos setores da esquerda radical
(essencialmente pára-quedistas e polícia militar na Região Militar de
Lisboa), provocados pelas notícias, levam a cabo uma tentativa de golpe de
estado, que no entanto não tem nenhuma liderança clara. O
Grupo dos Nove reage pondo em prática um
plano militar de resposta, liderado por
António Ramalho Eanes. Este triunfa e no
ano seguinte consolida-se a
democracia. O próprio Ramalho Eanes é no
ano seguinte o primeiro Presidente da República eleito por sufrágio
universal. Aprova-se uma
Constituição democrática e estabelecem-se
os poderes políticos locais (autarquias) e governos autónomos regionais nos
Açores e
Madeira.
Entre as décadas de 1940-60, Portugal
foi membro co-fundador da
NATO,
OCDE e
EFTA, saindo desta última em 1986, para
aderir à
União Europeia. Em 1999, Portugal aderiu à
Zona Euro,[42]
e ainda nesse ano, entregou a soberania de
Macau à
República Popular da China.[43]
Desde a sua adesão à União Europeia, o país presidiu o
Conselho Europeu por três vezes, a última
das quais em 2007, recebendo a cerimónia de assinatura do
Tratado de Lisboa.
Fonte: wikipedia.com
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